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JORNAL PÚBLICO TENTA ATACAR A PRAIA 19

Engates Masculinos Aquecem Praias
da Caparica nos Meses Frios
Por CATARINA SERRA LOPES

Da Praia do Rei até à Bela Vista, na Costa da Caparica, há homens que passam as tardes de Inverno vagueando por entre as dunas, em busca de alguém do mesmo sexo para um engate de ocasião ou até uma relação mais duradoura. Perscrutam o horizonte, de mãos nos bolsos e óculos escuros, deambulam com vagar, páram, olham em redor, vão até ao parque de estacionamento, voltam a subir às dunas.
Jorge, um brasileiro de 31 anos natural de Porto Alegre, é um dos que não dispensa algumas tardes daquilo a que chama "sexo sem limites nem obrigações". Apesar de ter "namorado fixo" já há quase dois anos, não dispensa um sexo mais "prazer pelo prazer e acabou-se, adeus, não te quero voltar a ver." "Não há números de telefone, não há jantares, não há cafés, só muito beijo, muito corpo", acrescenta.
"Já vou para as dunas da Costa aí há um ano e meio, às vezes vou só olhar, outras vezes se alguém me agrada e se eu agrado a alguém, acabo na mata. Nas dunas encontra-se de tudo, pessoas muito solitárias, pessoas que fingem só querer sexo, mas querem é arranjar um namorado, e pessoas que, como eu, gostam é da aventura que envolve tudo isto", explica, esclarecendo que "tudo se passa na boa, ninguém se mete com ninguém que não queira."
Já Hugo Cordeiro não diz o mesmo. Heterossexual convicto, ainda não conseguiu esquecer o que sentiu quando, num dia de sol de Inverno, em meados de Fevereiro, foi assediado por um homem de rugas e cabelo branco."Tinha ido apanhar um bocado de sol e, quando me estava a vestir para ir embora, reparei num homem que se estava a dirigir para mim", conta. "Primeiro ainda falou sobre o tempo, mas logo de seguida perguntou-me se não ia uma brincadeirinha. Nem respondi, peguei nas minhas coisas e virei costas, mas ele continuou atrás de mim até ao parque de estacionamento", relata. "Se não fosse pela sua idade avançada acho que tinha perdido a cabeça", confessa.
César Costa, desempregado por profissão e surfista por vocação, conta que as tentativas de engate por parte dos "homens das dunas" já deixaram de ser novidade. Diz que é bastante incómodo sair da água e dar por si a despir o fato de "surf" com dez homens a olhar fixamente para si. "Até já me fizeram propostas indecentes", afirma.Também a Rosa Aguiar e Luís Araújo, casal de jovens namorados, as movimentações masculinas não passam despercebidas. Estudantes da Faculdade de Ciências e Tecnologia, no Monte da Caparica, há anos que não dispensam os passeios à beira-mar depois das aulas. Nunca foram interpelados por nenhum dos "senhores de meia-idade e óculos escuros", mas também dizem sentir-se incomodados. "É que eles não se escondem, o engate é todo feito a céu aberto. Depois, quando já arranjaram um par, lá se metem no meio da mata", relata Luís.
A GNR da zona de Almada, responsável pelo patrulhamento das praias da Costa da Caparica, diz desconhecer a situação. De acordo com o comandante Menezes, "os locais referidos são patrulhados todos os dias em horários indefinidos e, até ao momento, nunca se ouviu falar em casos de assédio sexual.


A resposta da Opus gay

As praias são de todos
Foi recentemente publicado um artigo onde se mencionava que as praias da Caparica eram local habitual de engate de gays. Uma das praias, a Praia naturista 19, é de facto há muito anos uma famosa praia de engate público gay, com grande valor turístico.

O artigo publicado é ofensivo na forma como acrescenta a esta informação alguns testemunhos tendenciosos, ou tendenciosamente apresentados. Senão vejamos:
1) o testemunho de alguém apresentado como "heterossexual convicto" queixando-se de ter sido "assediado" por gays
2) o testemunho de um outro heterossexual queixando-se do "incómodo" de ser alvo das tentativas de engate dos gays
3) o testemunho dum casal heterosexual queixando-se de que as tentativas de engate decorrem "a céu aberto", salvaguardando afinal que "quando arranjam um par, lá se metem no meio da mata"
4) o testemunho da GNR da zona que afirma nunca ter tido conhecimento de nenhum caso de "assédio sexual"

Todos estes testemunhos assim seriados concorrem para uma impressão generalizada de que algo de errado acontece naquelas praias, algo de errado e desconhecido da GNR. Sim, porque se fosse conhecido, tenta dizer a jornalista, seria punido. È precisamente esta impressão global que ressalta do artigo que é ofensiva e incorrecta, pois afinal nada de criminoso ou ilegítimo se passa naquele espaço público, sendo natural portanto que a GNR nenhuma queixa tenha. É de estranhar também que, tentando a jornalista fazer desta questão uma questão de ocupação indevida e despudorada do espaço público, não tenha contactado nenhuma associação de defesa dos homossexuais para inquirir da sua posição quanto ao assunto. A Opus Gay tem, portanto, algo a dizer.

Por que razão nada de errado acontece efectivamente naquela praia?

Em primeiro lugar porque a prática recatada de relações sexuais em espaço público não é crime. O artigo reconhece que os gays têm afinal o pudor de entrar na mata (ao contrário de alguns heterossexuais que todos já viram praticar sexo em público em plena praia…). Existem espaços pois, que apesar de públicos oferecem algum recato. Onde já se viu começar a Polícia a prender todos os casais que namoram por esses jardins, matas e pinhais fora?!

Em segundo lugar, porque vivemos num país livre, e todos são livres de tentar engatar todos, desde que dentro da idade legal de consentimento sexual, desde que por meios não violentos, e desde que saibam aceitar um não. Não são as mulheres, mesmo as lésbicas, incomodadíssimas por tentativas de engate heterossexual a toda a hora? Alguma mulher vai a uma esquadra queixar-se de ter recebido um piropo, mesmo que de péssimo gosto? Ora, nesta situação em particular, a GNR não tem conhecimento de nenhum problema precisamente porque os gays respeitam o livre consentimento de quem tentam engatar, não forçando ninguém a coisísssima nenhuma.

Finalmente, os espaços públicos portugueses não são pertença exclusiva dos heterossexuais e das suas manifestações afectivas, amorosas e sexuais. De entre dezenas de praias na Caparica, uma é famosa como praia de engate gay. Uma é uma fonte de atracção turística invejável para a zona. Uma é uma praia de liberdade, onde todos, mesmo os heterossexuais, são benvindos, e ninguém incomoda ninguém. Se existem pessoas que preferem praias sexualmente mais tranquilas nada mais têm a fazer do que optar por elas. Viva pois a 19! Viva a Caparica! Viva Portugal!
O Presidente da Associação Obra Gay - Opus Gay
António Serzedelo"

Breves
PADRE DESAFIA PAPA 
Relançando a polémica do casamento entre homossexuais e em
desafio a uma ordem do Papa João Paulo II para abandonar o
sacerdócio, um padre italiano afirmou ontem que pretende
continuar a celebrar casamentos entre "gays", lésbicas e mesmo
padres. 

O decreto de João Paulo II foi ignorado pelo padre Franco
Barbero
Franco Barbero, um polémico sacerdote de Pinerolo, localidade
dos arredores de Turin, no Norte de Itália, foi exonerado da
prática religiosa, por decreto papal, há três dias. O documento
enviado pelo Vaticano apontava as "práticas litúrgicas
irregulares"- em referência aos controvérsios matrimónios
celebrados pelo padre -, como a razão principal para o seu
afastamento. Mas o padre recusa-se a cumprir a ordem do
Vaticano.

Barbero revelou que hoje vai celebrar a habitual missa
dominical e que até já tem planos para se deslocar a Roma
durante esta semana para casar mais dois casais de
lésbicas. "Ainda ontem (sexta-feira) casei um padre,
clandestinamente claro, que exerce funções numa paróquia em
Roma, não muito afastada da Santa Sé", adiantou Franco Barbero
para quem o celibato "não é normal" e sim algo "fora de época".

Pessoa de grande determinação e, ao mesmo tempo, envolta em
grande polémica, Barbero garante que a sua posição já está
a "espalhar-se" entre os sacerdotes de toda a Itália e que o
Vaticano não tem poderes para o parar. "O sacerdócio está nos
meus genes e eles (Vaticano) não podem tirá-lo de mim", afirma.

'PEÇAS COM DEFEITO'

"Acredito que a Igreja tem de receber da mesma maneira todas as
formas de amor verdadeiro. Os 'gays' são 'gays' por vontade de
Deus", afirmou Barbero, de 64 anos, numa entrevista à Reuters,
ao telefone, a partir da sua igreja.

"Deus não fabrica 'peças' com defeito. Deus não é a Fiat",
ironizou o controverso padre, numa breve mas explícita alusão à
crise que está actualmente a atingir a conhecida marca italiana
de fabrico automóvel.

Refira-se, no entanto, que todos os casamentos entre
homossexuais e de padres que Barbero realizou ao longo dos
últimos anos não têm qualquer validade legal. Ainda para mais,
agora que foi exonerado do sacerdócio, a Igreja considera que
Barbero não tem direito de continuar a celebrar cerimónias
religiosas. 
Andreia Dias, Correio da Manhã

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