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     Ainda há imprensa séria ?
O actual escândalo de pedofilia veio-nos mostrar que, e para quem ainda tinha dúvidas, que já não existe imprensa séria. E que todos os jornais e canais de televisão possuem um único objectivo: vender e propagandear. Ainda havia a esperança de que jornais como o Expresso e o Diário de noticias ainda não se tivessem vendido totalmente ás audiências e que fossem dos poucos ainda a fazer jornalismo a sério. Mas infelizmente, não é assim. O Expresso mostrou-nos há semanas, através de um editorial equivocado, como é que é possível que o director de um jornal como o Expresso, alimente equívocos ? Ou não seria apenas um equivoco ? Dizia esse editorial, quer dizer, dava a entender, que quem é contra o poder americano (ou melhor, contra a guerra no Golfo), é anti americano. Uma tese que parece encontrar eco tb no discurso do nosso actual primeiro ministro. Agora foi a vez do Diário de Noticias se juntar a este tipo de discurso reaccionário e hiper conservador .

João César Monteiro, professor Universitário na Universidade Católica, ex. consultor financeiro de Cavaco Silva, e membro da Comissão Nacional Justiça e paz, brinda os leitores do Diário de Noticias, com a crónica mais conservadora e retrógrada dos últimos tempos. Em "Para lá do bem e do mal",  este crónista  faz questão de diminuir todas as conquistas recentes nos Direitos Humanos (a libertação da mulher, a liberdade sexual, o aborto, o divórcio, a pílula, os direitos dos homossexuais, etc. ) afirmando que estas são mero fruto de uma "campanha"  de desinformação e propaganda. Para concluir, que o actual escândalo de pedofilia nada mais é tb do que uma campanha para banalizar a pedofilia e a violência contra as crianças e abrir caminho para "outros tipos de violência"...

Como é que é possível que o director de um jornal aceite publicar algo tão anti democrático e violento ? A menos que esse director pense de maneira semelhante. Pelo menos é isto que transparece. Uma coisa é liberdade de expressão outra totalmente diferente, como é o caso, é escrever uma crónica, ou o que for, a ofender e a agredir as minorias.

E com a recusa em publicar o direito de resposta, pedido pela OpusGay, impedindo que os ofendidos se manifestem, este jornal demonstra não ser um espaço totalmente aberto e livre de ideias, como defende ser...
Pode ser que juridicamente, nestes casos, não estejam obrigados a faze-lo, não o sabemos ainda, mas moralmente era a sua obrigação faze-lo. Por uma questão de respeito e consideração pela comunidade homossexual, e não só, que se sente justamente agredida e ofendida.


Em conclusão: Já não existem jornais dignos da nossa confiança. E será que algum dia existiram ?

  Já lá vai o tempo em que a palavra escrita trazia a força da verdade. Ainda me lembro bem de ouvir a minha avó a dizer, naquele seu tom solene,  (cujo grande sonho frustrado era ter sido uma grande jornalista): "Está escrito", "vinha no jornal". E quem ousava, nessa altura, duvidar do que estava escrito num livro ou num jornal ?

A única coisa que não mudou no caso dos jornais, é que, por vezes, continuam a  dar-nos muito jeito...


"Para lá do bem e do mal"


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